Se você acha "Synedoche, New York" (2008) um título estranho, espere para ver o filme, primeiro trabalho de direção de Charlie Kaufman, o cultuado roteirista de por exemplo, "Quero ser Jonh Malkovich". O filme é totalmente "outsider" em relação aos padrões do cinema de entretenimento. Um diretor de teatro (em crise?) encena sua vida, repleta de perdas, em que muitas figuras de linguagem, muitas representações ocorrem, e acho que mesmo atento, ninguém consegue pegar nem 50% do que pretende o diretor. Phillip Seymour (é claro) em mais um daqueles papéis densos e estranhos, secundado por uma série de boas atrizes, como Samantha Morton e Diane West, por exemplo. Alguns dirão que se trata de teatro filmado, e poderíamos debater se cinema pode ser teatro filmado. O filme, para mim, além de hermético em excesso, é também longo demais, porém é um filme que faz pensar e isto já é muito nos dias de hoje.quarta-feira, 4 de novembro de 2009
SINEDOOUE, NOVA IORQUE
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Cardo
Se você acha "Synedoche, New York" (2008) um título estranho, espere para ver o filme, primeiro trabalho de direção de Charlie Kaufman, o cultuado roteirista de por exemplo, "Quero ser Jonh Malkovich". O filme é totalmente "outsider" em relação aos padrões do cinema de entretenimento. Um diretor de teatro (em crise?) encena sua vida, repleta de perdas, em que muitas figuras de linguagem, muitas representações ocorrem, e acho que mesmo atento, ninguém consegue pegar nem 50% do que pretende o diretor. Phillip Seymour (é claro) em mais um daqueles papéis densos e estranhos, secundado por uma série de boas atrizes, como Samantha Morton e Diane West, por exemplo. Alguns dirão que se trata de teatro filmado, e poderíamos debater se cinema pode ser teatro filmado. O filme, para mim, além de hermético em excesso, é também longo demais, porém é um filme que faz pensar e isto já é muito nos dias de hoje.segunda-feira, 2 de novembro de 2009
VERÔNICA
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Cardo
Verônica (2009) é um filme do diretor Maurício Farias, que também é o co-roteirista. Filho do diretor Roberto Farias, acho que ele deveria se fixar na direção, que é uma das qualidades do filme. Já o roteiro, peca demais e ainda carrega o estigma de ser muito parecido com o enredo de um filme do Jonh Cassavetes. Na estória de uma professora que abandona a sua vida para ficar com um garoto que teve os pais assassinados em briga de traficantes em comunidade do Rio, e que é perseguida por policiais courruptos e traficantes, o filme consegue ser uma boa adaptação (no contexto) de uma estória que se torna (pelo roteiro) irreal demais. Vale destacar ainda as boas atuações da Andrea Beltrão e um pouco menos, do Marco Ricca, mas o roteiro derruba o filme e quase vira um caso especial maluco. Só prá quem gosta muito do cinema nacional.domingo, 1 de novembro de 2009
MILAGRE EM JUAZEIRO
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Começamos novembro assistindo na TV Brasil ao belo documentário " Milagre em Juazeiro" (1999) do diretor Wolney Oliveira, que é daqueles documentários que procura mais informar do que manipular. O filme é entremeado por uma narrativa ficcional, baseada no milagre da "beata" Maria Araújo, que vertia o sangue de Jesus Cristo nas hóstias que lhe eram ministradas pelo Padre Cícero ( vivido é claro pelo sempre competente José Dumont). Ao mesto tempo passa pelas telas o contexto, Juazeiro do Norte, os romeiros, suas manifestações culturais, seus depoimentos "anônimos". No final, o telespectador fica conhecendo mais da estória desta figura (Padre Cícero - falecido em 1934) que a partir dos milagres, é alijado da estrutura da Igreja, tem um papel político importante, é prefeito, deputado federal, e se torna um mito, adorado por milhares de pessoas até hoje. Uma verdadeira aula de religiosidade popular e cultura.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
FRENTE A FRENTE COM O INIMIGO
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Um caso raro de filme em que a tradução que arrumaram é melhor que o título: este filme inglês de 2009, do diretor Pete Travis, o mesmo do filme "Ponto de Vista" ( um bom filme de ação) - que trata dos complicados processos de negociação na República Sul Africana, que também contribuíram para o fim do Apartheid, talvez não com a importância que mostra a tese do filme, mas sem dúvida alguma, importante. O filme é muito mais do que isto - dois bons atores, William Hurt faz (muito bem) um professor Boer e Chiwetel Ejiofor (inglês descendente de nigerianos) faz o líder Thabo Mbeki do CNA, e o filme mostra que o jogo não terminou com estas negociações bancadas por uma empresa, mas mostra muito mais o que é ficar frente a frente com o inimigo, e ainda mostra aspectos da subjetividade de cada um e as diferentes matizes e estratégias de um grande partido político como CNA. É um bom filme, muito competente, com excelentes tomadas de câmara, o que parece ser um diferencial do diretor. Bons atores fazem papéis secundários na trama, como Nelson Mandela ( vivido pelo esperiente ator norte-americano Clarke Peters) e o ator britânico de Tv Mark Strong que faz muito bem o chefe de informações do governo Sul Africano. Fica um bom filme tanto para quem gosta de política, como para quem gosta de bons filmes de ação, suspense, provando mais uma vez que é possível fazer entretenimento com informação e qualidade. O diretor promete !terça-feira, 20 de outubro de 2009
SONS DE CUBA
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"The sons of cuba" (2004) é um trocadilho que deu certo na tradução. O filme, uma espécie de continuação do " Buena Vista Social Club" é uma produção do Win Wenders, que inteligentemente fez um filme sobre a formação e o show de uma banda, reunindo integrantes da geração tradicional, Pio Leiva , o protagonista, e vários músicos de tendências diversas da "nova geração", desde cantores de bolero, até uma cantira de rap, passando por uma sala de ritmos. O filme é excelente, é claro, e conta com uma fotografia de extasiar, narrando a beleza de paisagens e o cotidiano bastante pobre, alegre e despojado. Acaba sendo um filme não apenas sobre a música cubana, mas sobre o país e não é a toa que são orgulhosamente os filhos de Cuba. É especialmente bom para quem gosta de música, e para nós brasileiros, que certamente nos reconhecemos flagrantemente nestes irmãos próximos. Valeu Win Wenders !domingo, 18 de outubro de 2009
PRAZERES PROIBIDOS
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" Prazeres proibidos" (On The Doll-2007) é um filme do diretor Thomas Mignone, que é um cara que produziu videoclips de bandas como o Mettalica. Confesso que não vi os videoclips, pois não é muito a minha praia, mas pelo menos é uma origem diferente dos muitos diretores que tem vindo para o cinema, direto dos seriados de Tv norte-americanos. Nem assim a coisa melhora muito. Trata-se de um produto standartizado do cinema moderno- três estórias diferentes com personagens que se cruzam no final, costurando uma idéia, que no caso do filme, parece ser algo relacionado com a mensagem que o autor produz ao encontrar o personagem principal um pássaro morto. Daí desenvolvem-se estórias que ligam prostituição com perversões sexuais e problemas psicanalíticos. Tem até uma cena de bala perdida flutuando pelo espaço igual já vi em filmes brasileiros ( tem um curta metragem ótimo chamado bala perdida, ou coisa parecida, eu acho), além da já célebre rotação de filmagem com a marca Fernando Meirelles e Cidade de Deus. Achei as prostitutas das três estórias saídas de um conto de fadas, com um alto grau de irrealidade, bem como as perversidades sexuais. Não há porém a menor pornografia exposta e nem ao menos cenas de sexo. Para completar, atores desconhecidos com desempenhos medíocres. Curiosidade satisfeita, espero que diretor e atores melhorem e descubram melhores roteiros. sábado, 17 de outubro de 2009
A VERDADEIRA ESTÓRIA DE LENA BAKER
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"The Lena Baker Story" é um filme de 2008, dirigido e roteirizado por Ralph Wilcox, e estrelado por Tichina Arnold e pelo sempre bom, Peter Coyote. Trata-se da estória de uma negra que na década de 40, foi presa e condenada a morte no estado da Geórgia. Alguns comentários comparam o filme com " A cor púrpura" que vi há muito tempo e pretendo rever para comparar, mas a princípio, acho esta comparação desfavorável, pois este filme em momento algum chega a emocionar e acho que pelo roteiro, que me parece maniqueísta demais, sem nuances. Acho mesmo (está virando uma tese) que se trata de uma deformação do ambiente televisivo, no qual se formou o diretor e roteirista e a própria atriz principal. A TV traz esta forma de discurso, que por vezes parece meio limitada e " forçada". Vale a pena ver ? Sim, mas é um filme mediano e pouco emocionante que tem como ponto positivo expor a mentalidade racista da época, porém de uma forma que por vezes soa irreal.
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